Mecanismo de Revelação

Janeiro 18 2012

Daniel Oliveira, especialista de vacuidades e má língua, presenta o leitor do Expresso online com mais uma peça de opinião típica de quem tem de debitar artigos numa elevada frequência. Isto é, sem parar para reflectir no que escreve.

 

A opinião deste cronista incide sobre uma medida que o governo considera implementar para dinamizar o mercado de trabalho em Portugal. A proposta consiste num esquema de incentivos em que os desempregados que aceitem um emprego com um salário inferior ao seu subsídio poderão manter até 50% desta prestação social nos primeiros seis meses de trabalho e até 25% durante os seis meses seguintes. E como é que o Daniel Oliveira se posiciona segundo esta proposta: é contra! naturalmente. Este justifica que esta é uma medida contra o trabalhador porque desta maneira o governo cria uma pressão muito grande para a saída do desemprego com a obtenção de um salário mais baixo.

 

Daqui podemos imediatamente concluir que Daniel Oliveira acha que parte do elevado desemprego em Portugal é causado por um subsídio de desemprego generoso em relação ao último salário; desta maneira os desempregados aumentam a sua capacidade de negociação face a um potencial empregador, ameaçando não aceitar a proposta emprego se o salário negociado não for o desejável (em linha do subsídio de desemprego calculado com base no último salário). E, segundo o próprio, assim é que está bem! O que Daniel Oliveira não considera são, pelo menos, 4 pontos importantes:

  • Parte do capital humano de um empregado é específico ao seu trabalho corrente (e mesmo à empresa). Assim é natural, que após uma separação, um trabalhador perca imediatamente parte da sua capacidade de gerar rendimento (salário) devido à destruição deste capital específico.
  • Já a parte do capital humano geral, e como tal valorizada por todos os empregadores no mercado, vai-se depreciando à medida que um trabalhador permanece no desemprego; isto é, um trabalhador que fique em inactividade vai perdendo competências que são importantes num emprego. Como tal o salário esperado de oferta potencial vai diminuindo com o tempo de desemprego.
  • O incentivo à procura de emprego é tanto maior quanto for a diferença esperada entre o benefício de trabalhar e o benefício de não trabalhar. Para além de um subsídio de desemprego muito generoso (face às ofertas esperadas), outros factores reduzem o benefício de trabalhar: custos de transportes (SCUTS), custos de mobilidade (mercado de arrendamento oneroso), custos de não produção doméstica (jardins-de-infância caros), etc.. Daqui resulta que o incentivo líquido à procura de emprego pode ser excessivamente pequeno.
  • Nem todas as dinâmicas no mercado de trabalho se resumem a transições desemprego-emprego. Uma parte considerável destas dinâmicas também passam por transições emprego-emprego. Significa isto que um trabalhador não tem de se prender eternamente a um determinado emprego. Mesmo depois de estar empregado pode sempre continuar a procurar por outros empregos e mudar para uma alternativa melhor se a conseguir encontrar.
Ou seja, por todas estas razões, a medida apresentada pelo governo tenta contrariar um mercado de trabalho que , em Portugal, é esclerótico. Daniel Oliveir está contra! Daniel Oliveira está mais a favor do status quo! De manter tudo na mesma. Mesmo quando a taxa de desemprego em Portugal já ultrapassa os 13%. E, acima de tudo - acima de tudo! - quando o número de desempregados de longa duração é superior a 50% dos desempregados em Portugal - o vergonhoso valor mais elevado da zona euro em 2010. Daniel Oliveira acha que os quase 400.000 desempregados portugueses à mais de 1 ano precisam de mais de tempo para encontrar o emprego ideal e não devem ser ludibriados com incentivos de reingresso no mercado de trabalho. 
Ideal mesmo era que Daniel Oliveira não expusesse a sua ignorância em público. É que um grave problema para os desempregados portugueses passa também pelo tipo de crónicas que Danieis Oliveiras publicam.
publicado por Palamedes às 01:33
Etiquetas:

Assuntos económicos economizando no perdulário.
pesquisar neste blogue
 
mais sobre mim
RSS